Cultura & Historia
A cidade recheada da aquicultura, da religião & da Cultura
Aprecie uma viagem por Guaicui
Bem-vindo à terra mágica do sertão no norte mineiro, onde cada pedaço de terra conta uma história, cada mito ecoa nos ventos e cada tradição é um laço cultural que une o Brasil. Neste cenário, mergulhamos nas profundezas de Guaicuí, uma região que desempenhou um papel vital no clássico "Grande Sertão: Veredas" de João Guimarães Rosa, escrito em 1956, explorando as riquezas dessa área sertaneja de Minas Gerais.
Guaicuí, agora conhecido como um distrito encantador, foi imortalizado como um paraíso no inferno do sertão na obra de Rosa. A trama leva os personagens em uma jornada ao longo do majestoso Rio São Francisco, nas proximidades de Jequitaí, a poucos quilômetros do vilarejo denominado por Rosa como A Guararavacã do Guaicuí. Embora as descrições sobre o local sejam breves, conseguimos sentir a calma e tranquilidade que o caracterizam, destacados pela sua beleza única. Essa beleza se revela na fusão da criação humana com a natureza, personificada na "Igreja de Pedras", às margens do encontro do Velho Chico com o rio das Velhas.
A construção da igreja, um testemunho de tradição e história, iniciou-se no século XVII sob a mão escrava dos jesuítas, mas foi abandonada no século XVIII devido a enchentes e febres. A fachada, registrando seu início em 1635, é um reflexo de uma era que transcendeu para 1775. Adentramos a igreja, dividida entre o altar e uma parte não finalizada, abrigando um oratório para imagens católicas. Até hoje, o mistério paira sobre a existência de um teto no altar. A descrição de Richard Burton em 1867 ecoa como uma cápsula do tempo, transportando-nos para um passado fascinante.
Conforme o historiador Moisés Vieira (1982) nos explica, a história de Guaicuí começa com os jesuítas em 1650 e depois pelos bandeirantes liderados por Fernão Dias e Manoel Borba Gato em 1679. Além dos dois, a história do povoado possui outro nome em sua biografia, Manuel Nunes Viana, um comerciante que veio a região e trouxe consigo padres, comitivas e armamentos a partir do ano de 1703 e exerceu bastante influência entre os moradores, chegando a proibi-los de pagar impostos a outros se não ele (MORAES,2007).
Continuando nossa viagem, descobrimos a Igreja de Taipa - Nossa Senhora do Bom Sucesso, erguida com êxito em 1728 na Vila de Porteiras. O tempo a transformou em ruínas, mas uma parede permanece como monumento no cemitério.
A região ao redor do Rio das Velhas floresceu ao longo do tempo. Em 1869, D. Pedro II inaugurou o vapor Saldanha Marinho, ancorando em Guaicuí em 1871. A importância histórica do arraial, apesar de altos e baixos, resultou em sua denominação como "Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso e Almas do Rio das Velhas", elevado a vila em 1861, mas eventualmente retornando a ser um distrito de Jequitaí. Guaicuí, pioneiro na região de São Gonçalo da Tabocas, enfrentou diversas mudanças de 1720 a 1890, dissolvendo e reunindo a região. Com a industrialização, a construção da linha de ferro e a instalação da Companhia Cedro Cachoeira em 1887 em Pirapora marcaram o declínio de Guaicuí. Febres e desafios econômicos contribuíram para essa derrocada.
Agora, mergulhemos ainda mais nas raízes culturais de Guaicuí. A cultura local é um testemunho vivo da religiosidade e tradições cristãs, especialmente as católicas dos jesuítas. A dança do São Gonçalo, a Folia do Divino, o teatro Guaicurus e eventos como a Festa do Pescador e a Cavalgada são tradições passadas de geração em geração, perdendo-se entre os mais jovens. É crucial resgatar e compartilhar essas histórias, embelezando cada tradição digitalmente para que todos possam acompanhar e se encantar. Junte-se a nós nesta jornada fascinante por Guaicuí, um lugar onde o passado e o presente se entrelaçam em uma narrativa única.
Para conhecer mais sobre Guaicui, leia nosso e-book disponibilizado pela ExpoGuaicui